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08 Nov 2019, Alexander Ivanov, Head of Macroeconomic Research

BRICS e o novo Governo Brasileiro

Depois de assumir o cargo em janeiro de 2019, Bolsonaro provou sua capacidade de se afastar de uma de suas declarações mais radicais e controversas ao adotar um tom menos ideológico e mais pragmático. Embora o novo governo tenha retirado o Brasil do Pacto Global sobre Migração, idealizado pelas Nações Unidas, desistiu de deixar o acordo climático de Paris. Mais importante, às vésperas da Presidência BRICS do Brasil em 2019, Bolsonaro começou a reduzir os atritos que surgiram com os outros membros da associação. Um exemplo proeminente da posição mais acomodatícia do governo é o seu relacionamento com a China, onde Bolsonaro passou de uma retórica pré-eleitoral aparentemente ideológica para uma compreensão mais pragmática dos riscos e benefícios da cooperação com o país asiático. De fato, seus laços econômicos com a China são muito profundos, tornando um confronto potencial muito doloroso, especialmente para os poderosos lobbies do agronegócio e mineração no Brasil, principais apoiadores de Bolsonaro. Desde 2009, a China é o maior mercado de exportação do Brasil - somente em 2018, comprou mercadorias pelo valor de US$ 64,2 bilhões. Isso representou 26,8% do total das exportações brasileiras, bem à frente da participação do segundo maior destino de exportação - os EUA (12,1%).

Nesse ano, o comércio bilateral produziu um superávit de US$ 29,5 bilhões para o Brasil - uma alta histórica de todos os tempos. A China também emergiu como um dos principais investidores estrangeiros do país, desembolsando US$ 69,2 bilhões na economia brasileira entre 2003 e 2018, principalmente nos setores de infraestrutura, energia, mineração e agricultura. Consequentemente, vários observadores consideram os laços profundos do Brasil com a China como o principal motivo para o país permanecer no grupo BRICS. Guiado pelo pragmatismo, desde o início de 2019, Bolsonaro reiterou várias vezes sua intenção de promover a cooperação econômica com a China - não somente no comércio . Ele expressou seu objetivo de atrair investimentos chineses no desenvolvimento da infraestrutura deficiente do Brasil - estradas, ferrovias, portos e serviços públicos - e na privatização em andamento de empresas estatais.

Desafiando as pressões dos EUA, o governo Bolsonaro não restringiu as operações do grupo chinês de telecomunicações Huawei, que em agosto de 2019 retribuiu o favor com planos de construir uma nova fábrica de US$ 800 milhões no Brasil. Para consolidar os laços bilaterais, Bolsonaro e o presidente Xi Jinping concordaram em trocar visitas de estado em outubro e novembro de 2019. Além disso o Presidente Brasileiro também se distanciou da guerra comercial entre os EUA e a China, já que nesse contexto o Brasil tem muito mais a ganhar como mediador das duas maiores economias do mundo.

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Fonte original: Relatório BRICS 2019 Going Digital - ISI Emerging Markets

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